a
a
HomeTextos e HistóriasBezalel e Aoliabe – Os Artesãos Esquecidos

Bezalel e Aoliabe – Os Artesãos Esquecidos

“Será que você consegue notar aqui, mais uma vez, aquele contraste de sempre entre a Maçonaria Simbólica e o Arco Real, o contraste do “efêmero” e do “eterno”? Na lenda do Simbolismo, quando o solo foi aberto por aqueles fiéis Companheiros, eles encontraram um corpo mortal; quando os forasteiros (ou sobressalentes) abriram a abóbada, eles encontraram um altar a Deus.” – Richard Sandbach em Por Dentro do Real Arco.


“Também farão para Mim um santuário, e habitarei no meio deles.”
“Assim, trabalharam Bezalel, e Aoliabe, e todo homem hábil a quem o SENHOR dera habilidade e inteligência para saberem fazer toda obra para o serviço do santuário, segundo tudo o que o SENHOR havia ordenado” (Êxodo 36:1). O nome “Betsal’el”, composto pelas palavras “Betsel E-L – aquele que estava na sombra do Altíssimo.”

A descrição detalhada do Tabernáculo, incluídos numerosos acessórios e mobiliário que exigia um toque hábil, a partir da Arca Sagrada, coberta de ouro e para as cortinas bordadas que formavam o telhado do Tabernáculo.
E o senhor falou a Moisés, dizendo: “Veja, eu tenho chamado por nome a Bezalel, filho de Uri, filho de Hur, da tribo de Judá. Enchi com um espírito divino, com sabedoria, entendimento e conhecimento, e com [talento para] todos os tipos de artesanato: a elaborar planos; para trabalhar com ouro, prata e cobre, e em pedras de corte a ser definido, e em entalhar madeira; e fazer todos os tipos de trabalho criativo. Além disso, tenho Aholiav, junto com ele, filho de Achisamach, da tribo de Dan; e no coração de cada pessoa sábia eu coloquei sabedoria. Eles devem executar tudo o que eu vos tenho mandado. . .”

Quem eram esses dois artesãos, que mereceram a ser mencionado nas escrituras pelo nome em alguns de nossos rituais?

Ramban (Nachmanides), um dos principais comentaristas da Torá, observa que as habilidades de Bezalel eram em si um milagre, uma vez que durante os séculos de permanência dos judeus no Egito eles não tinham acesso aos metais preciosos, como ouro, prata e cobre. Assim, o fato de que Bezalel sabia trabalhar Estes metais e utensílios artesanais a partir deles era totalmente inesperadas.
Bezalel, descende de uma família aristocrática; Aholiav, pelo contrário, era da tribo de Dã- a tribo de menos prestígio, uma vez que eles são filhos da serva de Jacob, Bila. A Torá menciona Bezalel e Aholiav juntos, para demonstrar que para Deus, ambos estão no mesmo nível.
Enquanto ao trabalho desses homens, verdadeiras obras-primas. Por exemplo, os querubins de ouro que ficavam sobre a arca. O apóstolo Paulo os descreveu como “gloriosos”. (Heb. 9:5) Imagine a beleza deslumbrante dessas obras de ouro batido ao martelo! — Êxo. 37:7-9.

Bezalel fez a arca com madeira de acácia, com um metro e dez centímetros de comprimento, setenta centímetros de largura e setenta centímetros de altura. Revestiu-a de ouro puro, por dentro e por fora, e fez uma moldura de ouro ao seu redor. Fundiu quatro argolas de ouro para ela, prendendo-as a seus quatro pés, com duas argolas de um lado e duas do outro. Depois fez varas de madeira de acácia e revestiu-as de ouro e colocou-as nas argolas laterais da arca para que pudesse ser carregada. Fez a tampa de ouro puro com um metro e dez centímetros de comprimento por setenta centímetros de largura. Fez também dois querubins de ouro batido nas extremidades da tampa. Fez ainda um querubim numa extremidade e o segundo na outra, formando uma só peça com a tampa. Os querubins tinham as asas estendidas para cima, cobrindo com elas a tampa. Estavam de frente um para o outro, com o rosto voltado para a tampa. Fez a mesa com madeira de acácia com noventa centímetros de comprimento, quarenta e cinco centímetros de largura e setenta centímetros de altura. Revestiu-a de ouro puro e fez uma moldura de ouro ao seu redor. Fez também ao seu redor uma borda com a largura de quatro dedos e uma moldura de ouro para essa borda. Fundiu quatro argolas de ouro para a mesa e prendeu-as nos quatro cantos, onde estavam os seus quatro pés. As argolas foram presas próximas da borda, para que sustentassem as varas usadas para carregar a mesa. Fez as varas para carregar a mesa de madeira de acácia, revestidas de ouro E de ouro puro fez os utensílios para a mesa: seus pratos e recipientes para incenso, tigelas e as bacias nas quais se derramam as ofertas de bebidas. Fez o candelabro de ouro puro e batido. O pedestal, a haste, as taças, as flores e os botões formavam com ele uma só peça. Seis braços saíam do candelabro: três de um lado e três do outro. Havia três taças com formato de flor de amêndoa, num dos braços, cada uma com botão e flor, e três taças com formato de flor de amêndoa no braço seguinte, cada uma com botão e flor. Assim será com os seis braços que saem do candelabro. Na haste do candelabro havia quatro taças com formato de flor de amêndoa, cada uma com flor e botão. Havia um botão debaixo de cada par dos seis braços que saíam do candelabro. Os braços com seus botões formavam uma só peça com o candelabro, tudo feito de ouro puro e batido. Fez de ouro puro suas sete lâmpadas, seus cortadores de pavio e seus apagadores. Com trinta e cinco quilos de ouro puro fez o candelabro com seus botões e todos esses utensílios. Fez ainda o altar de incenso de madeira de acácia. Era quadrado, com quarenta e cinco centímetros de cada lado e noventa centímetros de altura; suas pontas formavam com ele uma só peça. Revestiu de ouro puro a parte superior, todos os lados e as pontas, e fez uma moldura de ouro ao seu redor. Fez também duas argolas de ouro de cada lado do altar, abaixo da moldura, para sustentar as varas utilizadas para carregá-lo, e usou madeira de acácia para fazer as varas e revestiu-as de ouro. Fez ainda o óleo sagrado para as unções e o incenso puro e aromático, obra de perfumista. Êxodo 37:1-29

 

Se fossem encontrados hoje, os objetos feitos por Bezalel e Aoliabe mereceriam ser exibidos nos museus e exposições mais famosos, onde poderiam ser apreciados pelas multidões. Mas, na quantas pessoas realmente contemplaram e reconheceram sua beleza? Os querubins ficavam no Santíssimo, sendo assim eram vistos só pelo Sumo Sacerdote apenas uma vez ao ano, quando ele entrava ali no Dia da Expiação. (Heb. 9:6, 7) Assim, pouquíssimos humanos os viram.
Coloque-se no lugar de Bezalel ou Aoliabe. Você se esforçou bastante para produzir aquelas incríveis obras de arte. Como se sentiria sabendo que pouquíssimas pessoas as veriam? Hoje, muitos têm um senso de satisfação quando são elogiados e admirados por outros. É como um termômetro para medir o valor de seus esforços.
Nos dias de Jesus, era comum os líderes religiosos fazerem orações para impressionar outros. Mas Jesus incentivou uma atitude diferente: orar com sinceridade e sem nenhum desejo de ser elogiado pelas pessoas ao redor. O resultado? “Teu Pai, que olha em secreto, te pagará de volta.” (Mat. 6:5, 6) Fica claro que o importante não é o que os outros acham das nossas orações. A opinião dele é que torna nossas orações realmente valiosas. Isso se aplica a qualquer coisa que realizamos em nosso serviço sagrado. O valor de nosso serviço não depende do reconhecimento de outros; o importante é que ele agrada ao Senhor, “que olha em secreto”

 

Quando o tabernáculo ficou pronto, uma nuvem “começou a cobrir a tenda de reunião e a glória do Senhor, encheu o tabernáculo”. (Êxo. 40:34) Essa foi uma evidência clara da aprovação divina. Como você acha que Bezalel e Aoliabe se sentiram nessa ocasião? Embora o nome dele s não aparecesse nos objetos que produziram, eles devem ter sentido satisfação em saber que Deus estava abençoando seus esforços. (Pro. 10:22) Nos anos seguintes, eles com certeza ficaram felizes ao ver que aqueles objetos continuavam sendo usados no serviço ao Senhor. No fim de sua vida, Bezalel e Ooliabe não tinham nenhum troféu, medalha ou placa em homenagem aos seus trabalhos impressionantes e de alta qualidade. Mas eles obtiveram algo muito mais valioso: a aprovação de Deus. Podemos ter certeza de que Deus observou o trabalho deles. Que imitemos esse exemplo de humildade e disposição.
Outra importante lição que podemos tirar desses personagens discorre sobre a ordem dos trabalhos: Por que é importante saber se a estrutura do Mishcan ( Tabernáculo) ou os utensílios foram feitos em primeiro lugar?
“Não tenho tempo!” Esta declaração é a frase mais comum na sociedade atual.

Temos muitas coisas para fazer durante o dia, e quando cai a noite estamos inevitavelmente atrasados com nossas tarefas. Como poderemos administrar melhor nosso tempo e realizar mais todos os dias?

Rashi, um do maiores comentaristas judeus, explica que as escrituras nos ensinam que, através de Ruach Hacôdesh, inspiração Divina, Betsalel sabia até mesmo as coisas que Moshê (Moisés) não lhe dissera. Embora não estivesse presente quando D’us deu as ordens a Moshê, Betsalel ainda foi capaz de construir o Mishcan exatamente de acordo com as especificações de D’us. Rashi prova que Betsalel soube de tudo através do Ruach Hacôdesh pelo fato de que quando Moshê disse a Betsalel para primeiro fazer os utensílios do Mishcan, e apenas então construir a estrutura do Mishcan em si, Betsalel corrigiu Moshê e informou-o de que deveria ser feito do outro modo.

Por que é importante saber se a estrutura do Mishcan ou os utensílios foram feitos em primeiro lugar?

Rabi Yerucham Levovitz explica que assim vemos a importância de colocarmos tudo em sua ordem correta. Jamais teremos tempo suficiente a cada dia para cumprir tudo aquilo que gostaríamos. Portanto, devemos estabelecer prioridades em nossa vida, para que possamos realizar tanto quanto possível com o tempo que nos foi reservado.

Com Bezalel, aprendemos mais uma lição de vida com aquele servo do SENHOR que viveu realmente à sombra de Deus (este é o significado do seu nome):

I – BEZALEL NÃO FICAVA PELA METADE EM SUAS RESPONSABILIDADES – Vs. 22 A
“Fez Bezalel tudo …

II – BEZALEL FEZ BEM FEITO O QUE LHE FOI CONFIADO- Vs. 22 B
“Fez Bezalel tudo quanto o SENHOR ordenara…”
Não é só concluir as coisas. Ele fez muito mais do que isso, ele fez bem feito. Foi obra de artista. Ele seguiu o conselho de Eclesiastes 9:10. Recebeu a repreensão de 10:18. E foi obediente à instrução de 11:6!

III – BEZALEL PERMANECEU FIEL À SUA POSIÇÃO – Vs. 22 C
“Fez Bezalel tudo quanto o SENHOR ordenara a Moisés”
Mesmo com todos os seus talentos, qualidades e realizações, Bezalel reconhecia a sua posição diante de Deus. Ele era o mestre de obras, o chefe da produção, o artista-mor, mas não era o arquiteto. Este era Moisés. Bezalel fez o que o SENHOR ordenava a Moisés. Conhecer nossas limitações e as fronteiras de nossa responsabilidade e autoridade, estabelecidas por Deus, é uma grande sabedoria, e nos evita muito problemas.

Que nossas obras sejam dignas do apreço Daquele que nos olha em secreto.

Referências:
http://www.pt.chabad.org/
http://www.joaoanatalino.recantodasletras.com.br/visualizar.php?idt=2356328
http://ebdestudosbiblicos.blogspot.com/2010/07/arca-da-alianca.html
Sefer Hamadá – Rambam – Volumes 1 e 2 – Tradução Familia Ades
Por Dentro do Real Arco – Richard S. E. Sandbach

http://www.irmaosdaordem.com.br/bezalel-e-aoliabe-os-artesaos-esquecidos/

 

 

 

 

No comments

leave a comment