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BANQUETE RITUALÍSTICO OU BANQUETE MAÇÔNICO

Antes de chegar em Brasília, em pleno vôo, recebi uma consulta de um irmão, que pediu informações sobre o Ritual de Banquete em vigor no Grande Oriente do Brasil, isto porque, segundo ele, estava fazendo uma pesquisa sobre o tema e lhe faltava informação sobre qual ritual de banquete estaria em vigor, se ainda era o ritual que foi aprovado pelo Decreto 0259, de 26 de maio de 1999. Consulta que passo a responder.

Ocorre que, o então Grão-Mestre Geral, Irmão Marcos José da Silva, baixou o decreto 1506, de 11 de novembro de 2016, que “aprova e determina a aplicação do Ritual Especial para sessões restritas de Regularização de Loja, Consagração e Entrega de Estandarte, Sagração de Templo e Banquete Ritualístico (Loja de Mesa). Rituais esses que foram publicados em um livreto pelo Grande Oriente do Brasil, no mesmo ano. Com isso os respectivos rituais anteriores perderam suas validades.

No caso do Ritual Especial para o Banquete Ritualístico, publicado às págs. 115 a 161, do referido livreto, destacam-se as seguintes preliminares:

“O disposto neste Ritual será adaptado às particularidades de cada Rito, no qual tange à determinação de cargos, aos procedimentos, à Bat.’. do Gr.’., ao uso de Espadas e Estrelas, bem como às práticas ritualísticas, propriamente ditas.”

“Os Banquetes Maçônicos devem realizar-se, preferencialmente, nos edifícios maçônicos, em locais apropriados; entretanto, podem ter lugar em outro qualquer edifício, contanto que tudo se disponha de modo que de fora do recinto nada se possa ver ou ouvir, isto é, completamente coberto das vistas e dos ouvidos de profanos.

A bandeja grande (mesa) será disposta em forma de ferradura, cuja volta (cabeceira) corresponderá ao Or.’. e as extremidades ao Oc.’., estando ornada com bandeiras grandes (toalhas), sobre as quais será fixada fita azul para o alinhamento das armas ou canhões (copos).

Também, sobre a bandeja grande (mesa), para cada um dos participantes serão disponibilizados trolhas (colheres), picaretas (garfos), espadas ou alfanges (facas) e bandeiras (guardanapos), bem como duas armas (copos); uma destinada para a pólvora fraca (água) e outra para pólvora (suco) ou pólvora amarela (cerveja), ou pólvora forte (licores ou vinho branco ou tinto).

Quando o número de convivas for grande, poder-se-á colocar uma ou mais mesas retangulares no interior da ferradura.

No Or.’. pela parte central exterior da ferradura, tem assento aquele que dirige os trabalhos e são dispostos, alternadamente, ao seu lado, um à esquerda e outro à direita os VVisit.’. de graus, cargos mais elevados, e detentores de títulos.

Os VVig.’., as DDig.’., OOfic.’. da Loj.’. e MMestr.’. IInst.’. ocupam os lugares que lhes são destinados, conforme o disposto nos esquemas adiante apresentados e de acordo com o Rito praticado pela Loj.’..

O M.’. de CCer.’. (ou outro Oficial da Loj.’., conforme o Rito) e o Mestre de Banquetes (ou outro Oficial da Loj.’., conforme o Rito) tomam lugar na parte interna da ferradura.

Os outros maçons assentam-se indistintamente.

A parte interna da bandeja grande (mesa) só será ocupada quando não haja mais lugares no exterior, e os IIr.’. que aí se colocarem só se levantarão à última saúde.

 

Todos os Irmãos devem estar trajados com seus paramentos.
Os trabalhos realizam-se no Gr.’. de Apr.’., o dirigente dos trabalhos e os VVig.’. utilizam Malhetes, sendo que o Ven.’. Mest.’. sempre assume a direção, enquanto que a presidência pode ser também por ele exercida face à ausência do Grão-Mestre Geral e do Grão-Mestre Estadual ou Distrital.

O Banquete Maçônico é uma tradição antiga que não convém romper. Todas as LLoj.’., devem, ao menos uma vez por ano, reunir seus membros em torno de uma Mesa Fraternal. A melhor época para essas reuniões é o Solstício de Inverno (fenômeno astronômico usado para marcar o início do inverno. Ocorre normalmente por volta do dia 21 de junho no hemisfério sul e 22 de dezembro no hemisfério norte).

Antes do início dos trabalhos o Ven.’. Mestre tem por obrigação esclarecer quanto à Bateria do Grau de Aprendiz do Rito praticado pela Loja, tendo em vista que poderão estar participando IIr.’. de outros Ritos.

Ressaltará, ainda, que para que o ágape transcorra com paz e harmonia, é necessário que todos observem algumas regras. Ao seu comando de: I) Sentemo-nos! – Todos devem sentar-se de forma silenciosa e ordenada; II) Solicito o obséquio de permanecermos em silêncio e sentados! – Todos devem manterem-se em silêncio e com atenção aos próximos comandos do Venerável; III) Vamos iniciar o serviço! – Todos devem aguardar que sejam servidas as telhas (pratos), e inicia-se a degustação.

Após o fim do qual o Venerável ordenará que sejam retiradas as telhas (pratos); IV) Peço que todos abasteçam suas armas (copos), depositando-as sobre a fita azul! – Todos enchem suas armas (copos) com a bebida de preferência, e as colocam sobre a fita azul disposta ao centro da mesa; V) De pé, armas (copos) na mão! – Todos os convivas da Mesa Principal e os convivas da parte externa do “U” levantam-se com as armas (copos) na mão. Os demais convivas da parte interna da mesa devem permanecer sentados, e com as armas (copos) na mão; VI Atenção – Armas (copos) em frente! – Todos pegam as armas (copos) e levam-nas à frente, à altura do queixo, quer estejam de pé ou sentados; VII) Saudações – Devem ser feitas com vigor e entusiasmo, conforme cada uma delas é anunciada, sendo a terceira de cada grupo a mais vigorosa; VIII) Descansar armas (copos)! – Simultaneamente e moderadamente todos colocam as armas (copos) sobre a faixa azul disposta na mesa; IX) À Ordem de Mesa – Sentados, todos devem fazer o Sinal Cultural com a mão direita e apoiar na lateral da bandeja grande (mesa) a mão esquerda em esquadria.

Por fim, é importante ressaltar que o abastecimento e ingestão de pólvora (bebida) só poderão ocorrer ao comando do Venerável Mestre, e que a quantidade de pólvora (suco, cerveja, ou licor, ou ainda vinho) deitada na Arma (copo) será totalmente consumida em três goles, esvaziando totalmente o conteúdo da Arma (copo), em cada uma das saúdes.
É importante lembrar que, por ser uma sessão ordinária especial, não se tratando de sessão magna, não há o ingresso do Pavilhão Nacional, nem saudação ao final.”

Ou seja, no Ritual para o Banquete, ora em vigor, de acordo com as explicações preliminares acima destacadas, e com a planta da mesa à pág. 120, para a Loja de Mesa, no REAA, foram eliminados os seguintes itens:
a) entrada e saída do Pavilhão Nacional, bem como sua saudação;
b) os botões de rosa para cada um dos comensais presentes, a chamada cadeia de flores;
c) os três castiçais e respectivas velas.

Embora, não tenha sido feito referência nas notas preliminares, consta do gráfico da planta da mesa, à pág. 120 as figuras do pão e de uma taça com vinho, ou seja, não foi explicada qual a finalidade da presença desses dois itens, na mesa à frente da posição do Venerável Mestre.

Por outro lado, houve uma inovação no item das bebidas, a presença de licor, que não era uma bebida até então incluída nos rol das bebidas tradicionalmente servidas no banquete.

Ademais em notas preliminares explicativas, em seu final, é lembrado que o banquete é realizado em “uma sessão ordinária especial”. Ocorre que não existe esse tipo de sessão no rol das sessões ordinárias previstas no Regulamento Geral da Federal, que é aprovado por lei. Até porque, se é uma sessão ordinária ela não é especial e se for especial não é ordinária.

Isto porque, a sessão de Loja de Mesa jamais poderia estar incluída no rol das sessões ordinárias previstas no RGF, porquanto, sempre foi uma sessão especial; não é ordinária, não é magna e não é pública. A Loja de Mesa, na qual se desenvolve o banquete ritualístico ou banquete maçônico, é realizada fora do Templo, em volta de uma mesa em forma de ferradura, que se desenvolve com base num ritual especial, onde são servidas comidas e bebidas alcoólicas, onde há momentos formais e momentos informais; onde são feitos brindes, onde é possível a apresentação de canto, música, declamação, e outra manifestações culturais.

Enfim, o banquete maçônico é um momento ímpar, onde se desenvolve a sociabilidade, a convivialidade, a confraternidade e a comensalidade, entre os comensais presentes, recepcionados e orientados pelo anfitrião do evento, o Venerável Mestre da Loja promotora do banquete.

Helio P. Leite
Autor do Livro Banquete Maçônico – Origens, Preparação & Ritualística.

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