Moral e ética maçônica

Falar em moral e ética, muitas vezes, pode parecer um estudo sem fim, pois muitas pessoas confundem vícios, virtudes, valores naturais, ética e sentimentos com outras propriedades do seu íntimo. Mas o fato é, que para este eterno aprendiz que voz escreve, aqui humilhando-se perante vós e ao Gr.∙. Arq.∙. Do Univ.∙. nada mais faz tanto sentido a metáfora do desbaste da pedra bruta do que o aperfeiçoamento e o entendimento técnico-filosófico do que trata-se a moral. Basicamente, neste entendimento, a moral orienta o comportamento do homem diante das normas instituídas pela sociedade ou por um determinado grupo social, diferenciando-se da ética, que no seu sentido, visa julgar o comportamento moral de cada indivíduo no seu meio. Mas ambas buscam o bem-estar social.

O que é Moral?

A moral é o conjunto de valores instituídos pelo coletivo de determinado grupo de pessoas, ao longo da história, que determinam regras básicas a serem seguidas para que o indivíduo tenha uma relação no mínimo harmoniosa e saudável para com os outros seres. São pautados na experiência de vida deste circulo social, por exemplo, quando percebeu-se que roubar a caça alheia era algo ruim, ainda que não objetivamente o porquê, sabia-se que isso era algo ruim em um aspecto coletivo. Esses valores são adquiridos pelas pessoas através da educação que recebem dos seus pais, da tradição dos povos, ou mesmo, no desenvolver das suas relações cotidianas. São regras universais que regem a conduta humana.

No Latin, Moral descende etimologicamente de “morales”, ou seja: “relativo aos costumes”. Essas regras sociais impostas por uma “boa moral” ou “ter moral” é que regulam o modo de agir das pessoas, elas estão associadas aos valores e convenções estabelecidas coletivamente pela experiência da sociedade a partir da consciência individual, que distingue o bem do mal, a violência da paz, o conflito da harmonia, etc.

Neste entendimento, faz analogia a metáfora do esquadro sobre o compasso, ou vice-versa nos graus superiores. O espírito sobe a matéria também poderia entender-se como a moral sobre o mero instinto.

Historicamente, a moral passou a ser adquirida instintivamente ao longo da convivência do homem em sociedade. Remontando ao homem primata, ao qual descendemos, quando o homem aprendeu a caçar e viu que grandes presas eram difíceis de serem abatidas sozinho, e depois, acabavam decompondo-se antes que fossem consumidas por completo, então, o homem começou a buscar e aperfeiçoar sua cooperação social. Logo começaram a caçar juntos e distribuíam o resultado disso, tornando mais fácil o trabalho e reduzindo a perda do alimento. Um exemplo bem prático, e tangível disso é que até poucos anos atrás, era comum entre famílias quando carnear um animal, dividir com seus vizinhos, pois não se possuía refrigeração adequada para armazenar tais alimentos por longos períodos.

Ainda, retornando ao período primata, talvez os princípios de moral fossem o de não roubar ou cobiçar a caça alheia, ou ainda, de não matar um semelhante (o que é citado inclusive os dez mandamentos) e assim por diante, surgindo novas regras sociais ao longo do tempo, sempre com intuito de colocar o sentimento de coletividade e fraternidade acima da força, da violência e do instinto primitivo.

Para estipular-se moral, ou medir-se isso de alguma forma, há de entender-se também algum “princípio de autoria”, em que cada autor é responsável pelos seus atos. Esse determinismo, embora óbvio, na prática, muitas vezes, é negado. Esse evento assinala o que denominamos “falta de moral” ou “não ter moral”, que nada mais é do que uma pessoa não disposta a se enquadrar nas regras sociais de determinada sociedade, como já falamos anteriormente. São valores autocomplacentes, que se auto-eximem de tais regras, quem quer que negue sua autoria ou tal princípio, não se submetendo ao juízo da moral (que é a ética), falseia toda sua moralidade.

Concluindo esta explanação, concluí-se que o ser humano em geral, principalmente o Maçom que busca uma plenitude moral além da média da sociedade, analogia ao desbaste da “pedra bruta” em direção a “pedra polida”, deve buscar o entendimento técnico-filosófico disso tudo, para que aplique tais regras em situações atípicas à aquilo que foi determinado ou liturgicamente exemplificado. Como pontualmente aperfeiçoar sua percepção moral para melhorar a si mesmo e identificar outrem que também o faça, basicamente as regras são sempre as mesmas e de fácil aprendizagem, já a percepção está na unidade, no juízo individual.

Desenvolvimento da percepção moral

O desenvolvimento da percepção moral é paralelo a percepção do Universo, das pessoas ao nosso redor, dos seus comportamentos e suas atitudes no dia a dia. Ela também deve-se dar pela expansão do imaginário, ou seja, a capacidade criativa de “tangibilizar mentalmente”, ou seja, imaginar situações e comportamentos adversos ao que corriqueiramente vivemos no nosso cotidiano mediante determinada situação. Essa percepção também pode-se dar através de um ponto de referência, uma pessoa que você tenha por exemplo moral “Justo e Perfeito”, exemplificando, você pode tomar uma pessoa (ou mais pessoas) por padrão moral, expandir seu imaginário e tentar pensar como aquela pessoa agiria em determinada situação adversa as “regras tradicionais”. Ao longo do tempo, naturalmente, você estará mais próxima a forma de pensar dela. Só tome cuidado com, e, a quem tomar por referência.

Essa percepção moral nada mais é do que um juízo íntimo das atitudes de si mesmo e dos seres a sua volta, é inegável que tal julgamento exista. O Maçom não deve cansar-se de observar tudo isso, sempre com humildade, compaixão e sentimento de justiça, sem exteriorizar seu julgamento, mas utilizando de tais percepções para aperfeiçoar-se mediante de si mesmo e sua consciência em um processo de observação, crítica, e, por fim, vínculo daqueles princípios que passamos a acreditar, isso torna o ser verdadeiramente moral.

Ética

Ética vem do grego “ethos” que significa modo de ser; “aquilo que pertence ao caráter”. Como em qualquer classe profissional, as pessoas também devem seguir um código de ética que determina e julga sua postura, seu caráter e mede sua moral perante o próximo. A diferença é que a ética não pode ser simplesmente escrita em um livro como um “manual de ética para todas pessoas do Universo” (até mesmo, porque as regras morais são poucas e as situações particulares são infinitas, suscetíveis aos mais diversos e calamitosos erros), mas trata-se de um sentimento que somente pode ser tangibilizado através da percepção moral individual. Também confunde-se muito ética (sentimento, não código profissional) com as Leis. Embora as Leis em geral sejam pautadas em princípios éticos, nunca um indivíduo vai ser punido pelo Estado ou compelido por outros indivíduos por não cumprir normas éticas.

Para Aristóteles (384 a.C.- 322 a.C.) o homem para ser feliz em sociedade tem que evitar os vícios de falta e os de excesso, o que chama de excelência moral. A justa medida ao meio de dois extremos (mesótes – aquilo que é equidistante em relação a cada um dos extremos) é o caminho para tornar-se um Mestre na Arte da Vida. Esse pensamento é muito mais antigo que a própria política e está relacionado ao indivíduo em si, enquanto a política está relacionada com o homem na sua vertente social. Deixo aqui o caminho para um futuro trabalho, do próximo Grau.

 

Que o Gr.∙. Arq.∙. Do Univ.∙. Ilumine a todos.

 

Trabalho do Amad.·. Irm.·. Nataniel Kegles (2015)

 

Fonte: http://www.diarioadonhiramita.com.br

Deixe uma resposta